No meio da encruzilhada entre as Finanças e o IMTT (09/01/2014)
As instituições – não somente a ATA e o IMTT – perdem credibilidade quando a sua autoridade não é presidida por responsabilidade e equilíbrio. Como sucede com as pessoas, é humilhante para os órgãos estatais ficarem sem credibilidade. Esta acaba por fazê‑los implodir, mesmo que depois renasçam das próprias cinzas. Embora com fundamentos diferentes, compreendo na plenitude o post de exaltação cívica (contra o domínio insensato da administração fiscal) publicado pelo confrade Paulo J. S. Barata em 2012. Não é raro o fisco portar‑se como um cão – cão reles e raivoso, e portanto repugnante –, escavando o seu próprio descrédito.
Vários organismos – especialmente as Finanças – continuam a olhar, em primeira instância, para o seu comodismo – às vezes nem é sequer a materialidade da receita fiscal que está em jogo –, e só depois haverá lugar (e se houver) para a preocupação com os utentes que precisam dos seus serviços. Lastimável, no mínimo. Um dos maiores castigos que desafiam a paciência dos portugueses reside no mau funcionamento das instituições. Vil castigo que persiste em obrigar o povo a perder tempo e dinheiro desnecessariamente, apenas para alimentar os caprichos institucionais.
O documento em anexo consiste numa carta que inicialmente foi redigida (há quase meio ano) para ser enviada à ATA e ao IMTT ou – provavelmente é o que aconteceria – à Provedoria de Justiça, de modo a livrar‑me da encruzilhada onde estava metido. Efetuei adaptações mínimas à carta, atualizando os tempos verbais e retirando a informação pormenorizada referente ao processo em causa.
Apesar de a carta estar pronta a ser dirigida a esses organismos, decidi colocar o assunto em estágio. Procedi assim por dois motivos: quis conhecer o desfecho da peripécia com as Finanças, de modo a posteriormente adequar a resposta em conformidade – como a administração fiscal deixou de me atormentar, presumo que o episódio já esteja morto e enterrado –, e para além disso pretendi arrefecer a resposta que estava preparada – o arrefecimento foi contudo impercetível, confesso, como se verificará pela leitura do documento.
Admito que o estágio atrás aludido tenha sido benéfico. Ao que parece, a exposição pública é mais eficaz. Tenho denunciado diversas situações, dirigindo cartas diretamente a entidades (sobretudo públicas) quando entendo que estas não desempenharam a sua função de modo apropriado. Não obstante os problemas acabarem por ser ultrapassados perante a razão dos argumentos apresentados, existe um senão: a triste constatação de que a sua resolução é bastante mais lenta. Normalmente é preciso insistir, combater e tudo o mais que era dispensável se não houvesse inflexibilidade ou altivez – numa palavra: casmurrice – das entidades alvo das observações críticas. Todos conhecem o efeito da água mole em pedra dura; mas com dinamite a rocha desfaz‑se num ápice, desde que o rastilho seja introduzido no devido centro de explosão.
Quando o assunto estava prestes a entrar em hibernação, eis que em meados de dezembro p.p. recebi um e‑mail da ATA relativo a um inquérito com vista à avaliação dos serviços disponibilizados no Portal das Finanças. A avaliação era medida através de uma escala de cinco níveis de satisfação por parte dos contribuintes: muito mau, mau, razoável, bom e muito bom.
Nos inquéritos sobre a qualidade dos serviços prestados, desde que eu não tenha razão de queixa efetiva, é meu hábito conceder o benefício da dúvida à entidade alvo da avaliação e por isso atribuo uma nota alta. Contudo, perante a sina de, para resolver problemas com o fisco, eu não conseguir dispensar a visita às suas instalações, dei‑lhe nota satisfatória. Adianto que a sina acaba por não ser demasiado prejudicial porque, apesar de gastar inutilmente tempo, em regra os funcionários fazem‑me sair com o ego mais cheio do que imaginava pelo facto de me obrigarem a vencer com relativa facilidade a sua enraizada sobranceria.
Porém, para a administração fiscal a classificação média é insuficiente, dado que no mesmo inquérito pretendia‑se saber a(s) causa(s) de não ter sido atribuída uma nota boa ou muito boa. Disponibilizavam‑se várias opções, e eu escolhi uma (ou duas) – não me lembro qual(ais) – que, com muita água-benta, menos se afastava(m) do real motivo. Tal como eu, um sem‑número de portugueses experimenta a impossibilidade de resolver assuntos por via do Portal, acabando inevitavelmente por ter de se dirigir às repartições de finanças. Por conseguinte, se os responsáveis da ATA quiserem melhorar a sua relação com os contribuintes, convém que atendam à denúncia aqui feita.
P.S. - Leia o texto completo.
Foto
Foto

Sem comentários:
Enviar um comentário