Carril em glosa (21/01/2018)
O mote instantâneo nasceu em 12 de setembro do ano transato. A glosa acalmada, prevista para aparecer meio ano mais tarde, acabou por impor-se antecipadamente. O silêncio foi o mestre e o vazio o maestro.
O dia de ontem, cerca de nove meses após o último vivo e revigorante encontro de amizade entre os elementos do grupo, conduziu à antecipação - sem rascunhos - da programada resposta glosada à saudade. O horizonte apresentou-se defronte, livre e honesto, natural e genuíno, impelindo o tempo a apressar-se.
Naquele carril da morte tudo acaba
Meninas de olhos nus amordaçados
Lembrando o futuro que desaba
O fumo sobe e grita aos céus calados
O Almo assiste a tanta injustiça
Mas pensa que é forte; até se gaba
Que tudo ele levanta; só enguiça!
Naquele carril da morte tudo acaba
Cordão umbilical da amizade
Desfez-se com a luz de sóis fechados
O escuro é afinal a voz que invade
Meninas de olhos nus amordaçados
Viagem duradoura para cumprir
Destino feito apuro que aldraba
Ausência que desdoura o devir
Lembrando o futuro que desaba
Revolta é o que resta - a alma sente
Pergunta à desdita: que pecados?!
O ar já pouco presta, está doente
O fumo sobe e grita aos céus calados
